segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Coisas

OK, estou escrevendo pouco. Ou melhor, publicando pouco. As ideias continuam aí, saindo dessa cabecinha doida. Uma das últimas dizia assim: Tudo em mim é inventado. Invento poesias, músicas, sonhos, juras de amor e de ódio. Tudo é intensamente inventado. Não aprendi a inventar coisas inúteis. Tudo o que invento é provocador e tudo para ser consumido já. Porque o amanhã não existe para mim. Ainda não aprendi a inventar o amanhã.
E é claro que escrevi isso em algum momento de fúria mental. Ultimamente tive várias, mas publico algumas, que são as que compartilhando, podem melhorar até mesmo minha forma de ver o mundo. Uma das coisas que me incomoda na vida é a indefinição. Odeio coisa mal resolvida. Por exemplo, no meu trabalho estou passando por essa fase nebulosa de não sei o que estou fazendo aí direito. É, é chato perceber que algumas coisas não se resolvem na mesma medida que a gente se esforça para solucioná-las. E essa indefinição me deixa furiosa, muito furiosa.
Outra coisa que odeio, mas que não depende de mim é o calor. Cara, eu pagaria minha passagem se a Avon me mandasse trabalhar em Ushuaia, ou até na Antártida. Ou qualquer outra empresa, só para não ter que aguentar esse calorão. O pior é que as portas do inferno devem ficar abertas até abril, quando a temperatura começa a ficar humanamente suportável. Ou serão as portas do purgatório?
Mas, em meio a tanta fúria, eis que coisas boas acontecem! Uma delas foi passar o natal com pessoas queridas, como minha tia Lene, meus primos e amigos. É lindo estar longe da família e encontrar uma nova família. Também é lindo ver o dia amanhecer quando você passa pela sala à procura de água e olha para fora e vê aquele céu lindão, e o sol aparecendo laranjinha, cor de quem vai deixar o dia um inferno mesmo, mas lindo. Também é lindo ter gratas surpresas leitorais, como os livros que minha mãe me mandou. Estou amando. Quase não consigo despregar os olhos deles. O duro é que quero ler tudo ao mesmo tempo. E, como já estava lendo dois outros livros, ficou complicado ler mais alguns. Sim, eu leio mais de um livro por vez.

domingo, 14 de novembro de 2010

30 anos

Bom, esse negócio de ficar mais velha realmente mexeu comigo. Acho que fisicamente não mudei em nada, digo, dos 29 para os 30. O que mudou mesmo foram alguns planos para o futuro. Hoje eu li uma frase em francês que dizia mais ou menos assim: as pessoas felizes não são obrigatoriamente as mais prudentes, as mais pacientes, as mais sérias... Então me identifiquei com algo: será que eu sou feliz porque não necessariamente tenho todas essas qualidades? Não sei... a coisa é que ando pensativa. Mas agora estou pensativa e por um lado positivo. Quero coisas para minha vida.

Nessa semana tive a grata surpresa de receber um e-mail da minha amiga de infância Glaucia. E mudou várias coisas para mim. Sim, reatar laços com pessoas queridas do passado me faz muito bem, talvez faça bem para todas as pessoas. A Glaucia é uma dessas pessoas mágicas, tranquilas, amigas etc etc. Por razões que transcendem nossa capacidade de explicação a gente se separou em algum momento da nossa vida, para reatarmos nossa amizade nessa era facebookeana. Cara, não sou de valorizar muito a tecnologia, mas o Facebook já me deu gratas surpresas. E reencontrar a Glaucia foi mágico!

Também estou pensando muito na possibilidade de ser mãe. Ok, já imagino todos os que me conhecem caindo sentados no chão ao ler essas linhas tortas de pensamentos obtusos... mas a chegada dos 30 me trouxe essa coisa louca, que ainda não aprendi a administrar. Tudo bem que nos meus planos não está a possibilidade de ter filhos nas condições que tenho hoje... por isso preciso repensar muitas coisas para poder conseguir tudo que quero. Me parece lindo poder pensar nisso agora. E ter uma família minha. E ser mais feliz ainda!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Every day... is a lifetime

Depois de tanto tempo sem escrever, resolvi quebrar o silêncio. Desde o último post, que não era lá tão bacana, já aconteceram muitas coisas. Algumas boas e outras nem tanto. Ufff
O trabalho na Avon está melhorando numa velocidade inferior à que eu esperava, mas pelo menos está avançando em alguma coisa. O problema é que fazer folhetos em português e em espanhol é mais complicado do que eu esperava, e não conto muito com uma orientação focada. Então fico patinando em coisas que às vezes são simples, e outras nem tanto.
Quanto à casa nova... já estou acostumada, pelo menos gosto muito do meu apartamento. É luminoso, vejo o sol nascer e o sol se pôr pelas janelas. Adoro o sol na primavera. No verão não.
As aulas de português também estão interessantes. Vejo que os alunos já fazem um grupo e a cada aula percebo que conseguem se expressar cada vez melhor. Tenho muito orgulho das aulas, principalmente porque a maioria deles eu ensinei desde o abecedário.
Outra coisa que tenho feito foi frequentar a academia. Pouco a pouco vou melhorando minha forma, mas ainda tenho uns quilinhos para perder. O duro é que meu professor vive gritando que o verão está chegando... e nos faz trabalhar muito!!! Hehehehe Sinceramente não me preocupo com o verão. Me preocupo com minha promessa de eliminar os quilinhos que insistem em ficar abraçados na minha pochete.
De resto as coisas vão caminhando. Conheci pessoas interessantes, estou abrindo minha mente para coisas novas... e quem sabe melhorar minha forma de ser também. Acho que viver é uma questão de se melhorar a cada dia. E cada um tem um conceito diferente do que significa “se melhorar”.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mais um roubo em Buenos Aires

Tenho tão poucos dias aqui na casa nova e já fui roubada. O duro é que morar num país subdesenvolvido não tem lugar nenhum para fazer queixas. Vou contar como foi. hoje vieram à casa minhas amigas Letícia e Edivânia, almoçamos, rimos e eu tive a infeliz ideia de levar a Edivânia até a beira do rio para ela conhecer uma paisagem nova de Buenos Aires. Até aí tudo lindo. Na volta, dois ladrões de merda levaram a câmera, a carteira e o casaco do Bruno e tentaram levar a mochila da Edi. Levaram as coisas do Bruno porque ele, num instinto de sobrevivência entregou tudo o que pediram. Só que o roubo não para por aí. Chegamos em casa, e quando o Bruno liga para o HSBC para dizer que roubaram o cartão de crédito dele e pedir um novo, os FDP cobram 45 pesos para enviar outro cartão.

Não parece um absurdo? Você é assaltado e ainda por cima tem que pagar?! Cara, estou indignada. Primeiro que a camara era novinha... compramos em abril para ir de viagem, e era linda, quase profissional. Praticamente nossa alegria dos fins de semana de sair para fotografar. Agora, nesse momento, um FDP que não sabe nem ver foto numa camara, está com o nosso brinquedinho, que compramos com todo amor e carinho e com muuuito sacrifício. Para ele deve ter sido a coisa mais fácil do mundo. Eu realmente desejo que ele morra, de qualquer doença lenta e dolorosa, porque com certeza ele não tem dinheiro para pagar um médico. E merece terminar na fila de espera de um hospital bem sujo.

O pior disso tudo, não posso comprar a minha tão desejada bicicleta. Porque, com certeza um dia será roubada. É uma situação de merda. E não posso nem pedir para o meu amigo Robinson nos levar daqui para o Canadá porque lá também roubam. Existirá algum lugar onde cidadões podem viver tranquilos e que podem ter coisas sem ter medo de ser roubado na esquina?